Existe uma classe emergente de casais que estamos chamando de "casais de alta performance", profissionais bem-sucedidos, financeiramente estáveis, geralmente com filhos crescendo bem. Do lado de fora, tudo parece estar funcionando. Do lado de dentro, o casamento é a única coisa que ninguém coloca na agenda.
Um levantamento inédito com executivos de médio e alto escalão em três grandes capitais mostrou um dado consistente: 63% relatam sentir que o casamento "está em piloto automático", enquanto simultaneamente 89% dedicam ao menos duas horas semanais planejando carreira e apenas 22 minutos em média discutindo o próprio casamento.
A distorção é matemática antes de ser emocional. Você não colhe estruturalmente aquilo que não estrutura. E casamentos que ficam no resíduo da agenda por sete anos consecutivos apresentam quedas mensuráveis em métricas de satisfação, mesmo quando não há conflito aberto.
O que a pesquisa sugere não é passar mais tempo juntos, casais de alta performance já passam. O que ela sugere é passar mais tempo *deliberadamente sobre* o casamento: reuniões trimestrais, revisões anuais, projetos com prazos. Tratar o casamento como o projeto mais importante da carreira, porque é.